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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Polêmica sobre atletas estrangeiros é abordada no Seminário Nacional Caixa de Corridas de Rua

Por Nelson Evêncio | 18/02/2014

Aconteceu na última sexta (14/02) o Seminário Nacional Caixa de Corridas de Rua, evento organizado pela Confederação Brasileira de Atletismo (Cbat) que reuniu atletas de elite de corridas de rua, treinadores, jornalistas, dirigentes e representantes das federações estaduais, para discutir assuntos pertinentes à modalidade no país, sobretudo a participação dos atletas estrangeiros em relação à legislação.

Na abertura, o Sr. José Antonio Martins Fernandes, presidente da Cbat, falou um pouco sobre as corridas de rua no Brasil e seus principais desafios. Dados interessantes foram apresentados das corridas no exterior como o fato de na Espanha haver cerca de 7.500 provas de corrida de rua por ano, na França 6.500 e em Portugal cerca de 3.000, bem a frente das quase 1.000 que devemos ter por aqui.

Em seguida foi a vez do Professor Dr. Antonio Carlos Gomes - superintendente de Alto Rendimento - discorrer sobre projetos da Cbat para o descobrimento de talentos, a integração entre as provas de pista e rua, a criação de um modelo nacional de treinamento de atletas, a divulgação das corridas de rua no meio acadêmico e os planos de massificação da prática da caminhada e das corridas de rua no país, com programas de desenvolvimento sérios, contando com o apoio de todos os seguimentos envolvidos, principalmente do Ministério da Saúde.

A ideia principal é criar um departamento nacional de corrida de ruas na Cbat e um grande projeto nacional para incentivar a prática, multiplicar e desenvolver pesquisas sérias, melhorando a qualidade de vida da população brasileira através da pratica da caminhada e da corrida. Sem dúvida um projeto bem interessante, sobretudo sendo dirigido por um profissional de renome, experiência e respeito internacional como o Prof. Antonio Carlos Gomes.


O terceiro tema abordado foi o Combate ao Doping no Atletismo, alterações no código mundial antidoping e novas perspectivas na atuação da Conad/Cbat, ministrado pelo Dr. Thomaz Souza Lima Mattos de Paiva, presidente da Conad (Comissão Nacional de Antidopagem). Foram apresentadas às mudanças que ocorrerão a partir do próximo ano, quando a punição para casos mais graves de doping como o uso de esteroides anabolizantes e Eritropoetina, que voltarão a ter suspensão por quatro anos ou até mais.

Foto :José Antonio Martins Fernandes, presidente Cbat no Seminário  Nacional Caixa de Corridas de Rua. Crédito: Marcelo Zambrana/Cbat
Falou-se muito na realização de testes fora de competição (exames surpresa) inclusive em provas onde não houver premiação e até da proibição do atleta utilizar as dependências do centro de treinamento da equipe durante o período de suspensão. Em resumo, um aumento fortíssimo na caça e punição aos atletas que tentarem levar vantagens sobre os demais participantes através da prática suja do doping.

Na parte da tarde, após almoço oferecido aos participantes do evento e a Cerimônia de Premiação do Ranking Caixa de Corredores de Rua 2013, o Sr. Martinho Nobre dos Santos, Superintendente Técnico da CBAT apresentou o tema Reconhecimento Oficial de Corridas de Rua, levantando vários itens necessários para o reconhecimento e a homologação das provas de rua, como envolvimento do sistema de trânsito para bloqueio das vias, medição oficial dos percursos, procedimentos para o controle antidopagem, classificação das provas por níveis perante o Iaaf, arbitragem e várias outras exigências que garantam a segurança dos participantes e a realização de bons eventos.

Uma das grandes reclamações dos atletas era o atraso por parte de alguns organizadores de provas em relação ao pagamento dos prêmios, situação que, segundo a Cbat, será resolvida com punição ao organizador que não respeitar os prazos estabelecidos.

Ficou por último o tema mais polêmico e quente, intitulado Participação de Atletas Estrangeiros em Corridas de Rua: aspectos legais e formais, dirigido também pelo Dr. Thomaz Souza Lima Mattos de Paiva, na qualidade de Assessor Jurídico da Cbat.

Com várias discussões e opiniões divergentes, o que é comum em se tratando de um assunto complexo como este, ficou muito claro a falta de conhecimento da legislação por grande parte dos envolvidos, sendo que até alguns dirigentes e organizadores de eventos não estavam cientes da obrigatoriedade legal da apresentação de uma carta-convite, com autorização da federação do atleta estrangeiro para que estes participem de provas no país, tendo então direito a entrar na zona de premiação em dinheiro.

A maioria dos atletas e treinadores brasileiros quer a participação dos atletas estrangeiros no país, desde que esta seja de forma ordenada e dentro da lei. E foi consenso que esta participação, sem documentação legal, sobretudo em provas regionais com baixas premiações, não proporciona nenhuma melhora do nível técnico de nossos atletas, do contrário, desestimula os mais novatos promissores e os mais veteranos já próximos à justa aposentadoria.

A Cbat realizará uma assembleia interna, mas em princípio adiantou que toda participação de atletas estrangeiros será permitida, desde que com a apresentação obrigatória da carta convite, conforme manda a lei, com uma cópia desta sendo obrigatoriamente enviada com antecedência a própria entidade. 
Esta abertura dada pela Cbat foi um grande marco da nova gestão, que estreitou o relacionamento entre diretores, atletas e técnicos, e que sem dúvidas proporcionará muitos benefícios ao desenvolvimento da modalidade em nosso país.

Fonte: www.webrun.com.br 

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